Vigilância com dificuldades


















A segurança privada é um sector de actividade relevante. Estão cerca de 100 empresas a actuar e emprega cerca de 35 mil pessoas. O problema é que está a cair em termos de facturação e ninguém o agarra. Pelo meio há beneficiários, caso de clientes grandes e do próprio Estado.


O mercado da área da vigilância humana estará a cair entre 3 e 5%, o mesmo nível que estará a cair o mercado de transportes, enquanto o mercado da electrónica estará a subir entre 2 e 4%. 
Estes são valores fornecidos ao OJE por gestores do sector.

Pelo meio prepara-se a consolidação do sector. Informações recolhidas junto do sector financeiro revelam que a empresa Esegur será posta à venda, tendo a Caixa BI e o Haitong Bank sido mandatados para a operação. 
Fontes do sector financeiro acreditam que os contactos com potenciais interessados poderão realizar-se já na próxima semana. O que está em causa é a liderança e quota de mercado na área de transporte e tratamento de valores em Portugal.


O sector da vigilância privada tem como líderes a Securitas e a Prosegur que, juntos, apresentam uma quota de mercado global da ordem dos 40%. São duas participadas de grandes multinacionais do sector e que segundos fontes do sector “ditam as regras do dia a dia”. 

Estas companhias detêm também alguns dos clientes estratégicos em termos de segurança do próprio país.

Mas o grande tema do momento e que constitui a maior ameaça a este sector de actividade é o dumping. 
Há um grande número de empresas de segurança privada a praticar preços abaixo do custo, sustenta fonte do sector. 
A concorrência está a ser levada até ao limite, uma situação que tem implicações nas práticas de pagamentos dos salários dos trabalhadores e o cumprimento da lei laboral e da convenção colectiva do sector.


As Autoridades, incluindo o regulador e os fiscalizadores, estarão a assistir passivamente ao que se está a passar, refere alguns que aproveitam para lançar farpas. Refere uma das fontes contactadas que as associações do sector e os sindicatos são incapazes de encontrar uma plataforma comum para resolver alguns destes temas prementes. 

Recorde-se que as duas associações principais do sector são lideradas por Rogério Alves e pela gestão do Grupo 8. 
“Até agora, foram incapazes de encontrar uma frente comum e de se porem de acordo sobre temas fundamentais e isto contribui para fragilizar o sector e retirar-lhe força”, diz uma fonte ligada ao processo.



Preços de há 10 anos

Todo este contexto acaba por beneficiar os clientes, entre os quais o Estado onde há exemplos de compras abaixo do preço de custo. Em contraste, a generalidade do sector entrou numa situação económica e financeira muito difícil. As excepções a esta regra são reduzidas e o problema tende a agudizar-se. O Estado dá o mau exemplo pela via da contratação de serviços abaixo do custo por um lado e, por outro, não fiscaliza.

Adiantam que a PSP, entidade máxima responsável neste sector, está longe de ter alcançado os objectivos de “regularizar o sector”. 
Fontes afirmam que a intervenção atempada em casos de ilícito poderia levar a suspensão do alvará para 30 ou 40 empresas num universo de uma centena. Referem que há uma burocracia administrativa que impede a Autoridade de funcionar em tempo real. 

Por seu lado, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) mostra-se, desde há muito, “com grave incapacidade de entender como funciona o sector, não quer aprender, e estará com grande dificuldade em fiscalizar o que se passa neste meio”, alertou uma das fontes.


A fiscalização do cumprimento da lei laboral e do contrato colectivo de trabalho poderia levar à suspensão do alvará A de vigilância relativamente a algumas empresas, diz o sector. 

Também as empresas com alvará C e que estão a actuar na venda e instalação de alarmes não estão a cumprir as regras de base. Aliás, no sector, é voz corrente que há empresas sem alvará A ou C e que vendem, instalam e fazem manutenção ao nível das centrais de alarme. 

As mesmas fontes defendem que a PSP deveria fiscalizar todas as centrais receptores de alarmes (CRA) porque alegadamente existirão várias que não cumprem os requisitos. Há um exemplo que circula no mercado de uma entidade do sector e que é uma central proprietária de uma dezenas de empresas e que actua sem o alvará C.



Líderes não são exemplo

Os líderes não serão o melhor exemplo, diz quem está no sector. Há preços em queda e as maiores empresas do sector entram nesse modelo de negócio que a prazo terá repercussões nas suas contas e na credibilidade de todo o sector de actividade. 
“Há telhados de vidro”, dizem algumas fontes, mas sem darem exemplos.

Num sector onde não há novo negócio e onde é “mais do mesmo” o que se discute em cada contrato, continua a assistir-se a uma quantidade grande de serviços efectuados por gratificados da PSP e da GNR e que deveriam ser feito pela segurança privada, alerta operadores que pediram para não ser identificados. 

Há quem afirme que o sistema está feito desta forma e não é possível alterá-lo. O mercado da vigilância cai quase 5% ao ano e o novo mercado da electrónica não compensa aquelas perdas e os preços estão ao nível de há 10 anos.


Terrorismo

O tema da segurança interna e do terrorismo é uma preocupação essencialmente das multinacionais. Em contraste, as empresas portuguesas mantêm a obsessão pelo preço baixo em detrimento da qualidade. 
Aliás sobre este tema, refere Rogério Alves, num artigo que está publicado no site da Associação de Empresas de Segurança, onde é presidente, que “a segurança é um bem ao qual todos temos direito (…) e sendo um direito fundamental compete ao Estado defendê-lo”. 
Refere no mesmo artigo que a segurança privada complementa a actividade pública e fá-lo através da vigilância humana e electrónica, das revistas, como meio auxiliar e do transporte de valores.

fonte OJE.

partilhe no Google Plus

About l.g

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.
    Blogger Comment

0 comentários:

Enviar um comentário

Toda a informação partilhada será da inteira responsabilidade dos intervenientes.
Seja cordial e respeite a opinião dos outros, não ofenda ninguém.
Conforme está consagrado na Constituição da Republica Português, (Art.º 37, nº.1) “todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio.